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Somos duas pessoas que através de uma linda jornada dentro do eu, fruto de um trabalho terapeutico maravilhoso ficamos encantadas com as próprias descobertas, resultados e cura, esse conjunto de coisas aconteceu como consequência de uma conexão honesta, sólida e humana entre terapeuta e paciente. Diante de tantas alegrias e descobertas fomos movidas a por um sentimento de comprometimento pelo próximo, que nos levou a criar este blog, para que vocês usufruam e apliquem em suas vidas (se lhes for útil) nossas metáforas, imagens e meditações. Aproveitem!
Com carinho,
Clarissa e Keli

sábado, 5 de janeiro de 2013

O BISTURI DA COMPAIXAO


Keli,

Estou praticando MUITO e diariamente o bisturi da compaixão, percebo como, o perdão a compaixão é mais fácil de ser praticada com os outros, do que conosco, entender os deslizes dos outros é de certa forma fácil, mas aceitar que eu deslizo! Meu Deus, o ego reclama MUITO.

Mas, pude perceber também que tenho que aplicar o bisturi muito mais vezes por dia comigo mesma do que com outros! Incrível! Pois meu ego vivia me dizendo que a culpa era dos outros, que os outros me irritavam....sabe? Agora vejo que não é bem assim, tenho que ter muita paciência comigo mesma!

O ego, egoísmo, nos leva a uma cegueira total e para tirar essa cegueira não é fácil! Preciso de muito bisturi! Diariamente!

Vi que não adianta aceitar um conceito como verdade, é preciso praticá-lo, não é? Por exemplo, aceitar a compaixão é fácil, praticá-la é difícil e desprende muita energia.

Mesmo se eu saísse fazendo caridade por aí e não tivesse o entendimento do que é realmente compaixão, não seria completo....adiantaria....seria bom também, mas não seria pleno, né?

Outra coisa que pensei em relação a isso, é que sinto uma certa frustração de não ter internalizado tão plenamente esse conceito antes, minha vida seria diferente, talvez tivesse usufruído mais e tido menos problemas e mais alegrias, menos brigas. Por que não fiquei pronta antes? Mas, ao mesmo tempo tenho o pensamento que vem em forma de resposta, que é assim: - não temos como internalizar tudo ao mesmo tempo e nem estar pronta! Nunca estaremos! As coisas são reveladas aos poucos, sei que mesmo querendo e conhecendo o conceito da compaixão não estava pronta para conhecê-lo na integra. Por que não sei e também não sei o que destravou a porta que abria para a sala da compaixão. Também, não podemos saber tudo, só sei que se estou aprendendo estou no caminho certo, o que mais quero é que Deus me ensine!

Bjs

Clarissa



Clarissa querida,

Somos seres de hábitos e para instalar um habito é preciso repetir o novo comportamento todos os dias até que ele passe ao piloto automático. Como disse Aristóteles, ¨a repetição é a mãe da sabedoria¨. O processo de mudança parece seguir alguns passos:

INCONSCIENTE – SEM HABILIDADES
CONSCIENTE - SEM HABILIDADES
CONSCIENTE – HABILIDOSO
INCONSCIENTE – HABILIDOSO

Vou explicar cada um deles para ficar mais claro onde quero chegar com esta ideia:

INCONSCIENTE – SEM HABILIDADES

Esta é a fase em que não temos consciência da necessidade de mudança e portanto não desenvolvemos as habilidades para tal. Por exemplo, penso que as pessoas são culpadas por determinadas coisas, me irrito, me sinto magoada, triste, não enxergo que o poder de mudança está em minhas mãos e portanto não sou capaz de fazer o que precisa ser feito para resolver as questões.

CONSCIENTE - SEM HABILIDADES

Esta é a fase em que percebo que algo não vai bem, não está funcionando e começo a me tornar consciente que preciso mudar, que o poder está em minhas mãos, que a responsabilidade é minha e isto pode causar ansiedade, angustia porque ao mesmo tempo que sei que sou responsável, não tenho desenvolvidas as habilidades para mudar o que preciso mudar. A boa noticia é que ¨temos dentro de nós tudo que precisamos para resolver os problemas¨ e quando nos tornamos conscientes, podemos ter acesso a estes recursos. Seguindo o exemplo, nesta fase nos damos conta de que todos estamos em processo de evolução e aprendemos de maneira e em ritmos diferentes, que não podemos mudar os outros e sim a maneira como os vemos, como interagimos com eles. 
Se entendemos compaixão como a capacidade de aceitar o processo exatamente como ele ocorre e quando ocorre, o seu e o dos outros, compaixão significa olhar e sentir o que acontece com amor, sem querer controlar as coisas, sabendo que tudo tem seu tempo. Uma flor não nasce mais rápido ou mais devagar porque pensamos que deveria florescer mais lentamente ou mais rapidamente.  A natureza da qual somos parte nos ensina a compaixão de uma maneira simples e real. É deixar fluir e seguir o impulso desta energia, sem julgar, sem comparar, sem condenar. Simplesmente aproveitando cada momento para aprender, para transformarmo-nos  em pessoas melhores. E com estes conhecimentos vamos desenvolvendo as habilidades necessárias, aprendendo a fazer diferente e passamos para a fase seguinte.

CONSCIENTE – HABILIDOSO

Esta é a fase do treinamento, da repetição da nova forma de ver, de sentir, de agir.  Esta etapa não é fácil porque percebemos as coisas com mais clareza, nos deparamos com as dificuldades de agir de maneira diferente. É hora de ¨orar e vigiar¨ como nos ensinou Jesus. Precisamos de disciplina para continuar usando o bisturi da compaixão. A primeira compaixão, e a que garante ter compaixão pelo outro, é a por si mesma. Vigiar todo o tempo para não voltar ao padrão antigo  requer muita energia, mas só no começo porque depois de treinar e treinar e treinar atentamente passamos para a fase em que não precisamos mais pensar para atuar de acordo com o novo habito porque passa para o piloto automático.

INCONSCIENTE – HABILIDOSO

Nesta fase agimos respeitando o processo exatamente como ocorre, no tempo em que ocorre e de uma maneira natural porque já faz parte de nosso modelo mental, de nosso sistema de crenças e nos guiamos assim, sem esforço e habilidosamente.

Se tudo acontece a seu tempo e da maneira que precisa acontecer, estar pronta antes só seria possível se fosse o momento de estar pronta.  É como a historia que te contei dos meus girassóis no jardim. Eu sempre plantava sementes de girassol e depois de um tempo, como viajava muito a trabalho, parei de plantar as sementes. Um ano depois que tinha parado de plantar, um dia quando abro o portão vejo um lindo girassol florescendo... Pensei que havia sido minha secretária, mas não tinha sido ela... a semente ficou ali adormecida um ano e só floresceu no seu tempo, provocando um sorriso em mim. Tudo acontece no tempo que tem que acontecer e nossa alma pode educar nosso ego, a medida que vamos eliminando o medo e deixando o amor entrar e nos curar. E para finalizar com chave de ouro um pouco mais de Jesus: ¨Ama ao próximo como a ti mesmo!¨

Abraços no coração querida.

Keli

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